quarta-feira, 24 de junho de 2015
quarta-feira, 17 de junho de 2015
O intuito da criação do blog foi a aproximação dos vestibulandos, leitores e curiosos afim de proporcionar um espaço para pesquisa. O trabalho foi baseado na obra de Domingos Olímpio Luzia Homem. Com isso, agradecemos os comentários acerca da obra. Pois o intuito é alimentar o blog com informações enriquecedoras.

Análise estilística
1. Determinismo do Meio
O homem como produto do meio é a tese central do movimento. O indivíduo não passa de uma projeção do seu cenário, com o qual se confunde e do qual não consegue escapar. Daí a insistência na descrição do meio, que sempre traga e tritura o homem. Olimpo, em Luzia Homem, mostra a vida dos retirantes na penitenciária. O ambiente como que suprime os indivíduos:
Muitas se afastavam dela, da orgulhosa e seca
Luzia-Homem com secreto terror, e lhe faziam a furto figas e cruzes. Mulher que
tinha buço de rapaz, pernas e braços forrados de pelúcia crespa e entonos de
força, com ares varonis, uma virago, avessa a homens, devera ser um desses
erros da natureza, marcados com o estigma dos desvios monstruosos do ventre maldito
que os concebera
Página 8
A população da cidade triplicava com a
extraordinária afluência de retirantes. Casas de taipa, palhoças, latadas,
ranchos e abarracamentos do subúrbios, estavam repletos a transbordarem. Mesmo
sob os tamarineiros das praças se aboletavam famílias no extremo passo da
miséria-resíduos da torrente humana que dia e noite atravessava a rua da
Vitória, onde entroncavam os caminhos e a estrada real, traçado ao lado
esquerdo do rio Acaracu, até ao mar. Eram pedaços da multidão, varrida dos
lares pelo flagelo, encalhando no lento percurso da tétrica viagem através do
sertão tostado, como terra de maldição ferida pela ira de Deus; esquálidas
criaturas de aspecto horripilante, esqueletos automáticos dentro de fantásticos
trajes, rendilhados de trapos sórdidos, de uma sujidade nauseante, empapados de
sangue purulento das úlceras, que lhes carcomiam a pele, até descobrirem os
ossos, nas articulações deformadas. E o céu límpido, sereno, de um azul doce de
líquida safira, sem uma nuvem mensageira de esperança, vasculhado pela viração
aquecida, ou intermitentes redemoinhos a sublevarem bulcões de pó amarelo,
envolvendo como um nimbo, a trágica procissão do êxodo.
Capítulo III
2. Determinismo dos Instintos
Cada indivíduo traz dentro de si instintos
hereditários, que explodem repentinamente em manifestações de luxúria, tara,
indignidade e crimes. Por mais que cada um desenvolva sua racionalidade, seu
domínio sobre si próprio, ajustando-se à convivência social, nunca será
suficientemente forte para domar as forças subterrâneas que vêm à tona,
arrastando-o a um universo de anormalidades e vícios.
Crapiúna, o tal soldado, era mal-afamado entre os homens
e muito acatado pelas mulheres, graças à correção do fardamento irrepreensível,
os botões dourados, o cinturão e a baioneta polidos e reluzentes: todo ele
tresandando ao patchuli da pomada, que lhe embastia2 a marrafa e o bigode, teso
e fino como um espeto. Possuía, apesar das duras feições, o encanto militar, a
que é tão caroável o animal caprichoso, e fútil, a mulher de todas as
categorias e condições sociais, talvez porque, sendo fraca, naturalmente, se
deixa atrair pelas manifestações da força.
Página 4 (2 parágrafo )
ZOOMORFISMO e
DESCRIÇÕES NEGATIVAS
Essa
característica muito comum no Naturalismo em que as personagens são sempre
aproximadas dos animais é bastante presente no romance. Bem como o enfoque de
aspectos negativos das personagens e da paisagem.
“... esquálidas
criaturas de aspecto horripilante, esqueletos automáticos, dentro de
fantásticos trajes, rendilhados de trapos sórdidos, de uma sujidade nauseante,
empapados de sangue purulento das ulceras, que lhes carcomiam a pele até
descobrirem os ossos, nas articulações deformadas”. “O formigueiro de
retirantes”
Personagens
Luzia, a protagonista, é do tipo mulher masculinizada, de músculos fortes, mas de sensibilidade aguçada. É taciturna, solitária, boa, corajosa, firme de caráter, constituindo-se num "símbolo da mulher cearense, heroica na sua luta contra o flagelo da seca, da emigração e da prostituição - como interpretou Abelardo Montenegro".
Crapiúna é o mau soldado, excessivamente sensual e inconsciente.
Teresinha, vítima de terceiros. ( amiga de Luzia e ex prostitua)
Alexandre, o namorado, é bem delicado, bem como Raulino. ( é acusado de roubar um almoxarifado pelo Crapiúna, mas depois é absolvido)
Capitão Marcos e família, sensíveis ao sofrimento comum, conservam, entretanto, o orgulho patriarcal do fazendeiro.
Dona Josefina (Tia Zefa): mãe de Luzia, velha e entrevada, jogada numa cama, só se recupera mais ao final do romance, após tomar o medicamento receitado pelo médico, do qual ela sempre desconfiava. Sendo que atribuíra sua cura a rezas e santos.
Raulino: vaqueiro corajoso e de bom coração, amigo de Luzia-Homem. Eternamente agradecido a ela, pois a moça o salvara de um touro, quando o sertanejo domava e havia caído. Raulino também era exímio contador de causos.
Luzia, a protagonista, é do tipo mulher masculinizada, de músculos fortes, mas de sensibilidade aguçada. É taciturna, solitária, boa, corajosa, firme de caráter, constituindo-se num "símbolo da mulher cearense, heroica na sua luta contra o flagelo da seca, da emigração e da prostituição - como interpretou Abelardo Montenegro".
Crapiúna é o mau soldado, excessivamente sensual e inconsciente.
Teresinha, vítima de terceiros. ( amiga de Luzia e ex prostitua)
Alexandre, o namorado, é bem delicado, bem como Raulino. ( é acusado de roubar um almoxarifado pelo Crapiúna, mas depois é absolvido)
Capitão Marcos e família, sensíveis ao sofrimento comum, conservam, entretanto, o orgulho patriarcal do fazendeiro.
Dona Josefina (Tia Zefa): mãe de Luzia, velha e entrevada, jogada numa cama, só se recupera mais ao final do romance, após tomar o medicamento receitado pelo médico, do qual ela sempre desconfiava. Sendo que atribuíra sua cura a rezas e santos.
Raulino: vaqueiro corajoso e de bom coração, amigo de Luzia-Homem. Eternamente agradecido a ela, pois a moça o salvara de um touro, quando o sertanejo domava e havia caído. Raulino também era exímio contador de causos.
Temática da obra
A obra tematiza a violência e o sadismo que florescem como literatura naturalista. Há nuances de Romantismo na morosidade da descrição das paisagens, onde a natureza, às vezes, é madrasta principalmente por causa da seca. Explora a duplicidade da personagem principal, ela é bonita, gentil e retirante da seca, mas também tem força descomunal. No romance, Luzia integra um grupo de retirantes, e sua figura forte e personalidade marcante logo atrai a atenção dos homens que disputam o amor da heroína.
A obra tematiza a violência e o sadismo que florescem como literatura naturalista. Há nuances de Romantismo na morosidade da descrição das paisagens, onde a natureza, às vezes, é madrasta principalmente por causa da seca. Explora a duplicidade da personagem principal, ela é bonita, gentil e retirante da seca, mas também tem força descomunal. No romance, Luzia integra um grupo de retirantes, e sua figura forte e personalidade marcante logo atrai a atenção dos homens que disputam o amor da heroína.
Enredo
O cenário é o interior do Ceará, nos fins de 1878, durante uma grande seca. Na construção da penitenciária de Sobral, pequena cidade do Ceará, muitos retirantes trabalham para não morrerem de fome.
Uma linda morena chama a atenção de todos. É luzia que faz serviços de homem para poder receber ração dobrada, em virtude de ter a mãe doente em casa. Seu corpo é esbelto e feminino e, acostumada que fora na antiga fazenda do pai a trabalhar em serviços pesados, tinha muita força, fazendo o que muitos homens não podiam. Por isso recebera o apelido de Luzia-Homem. Recatada e silenciosa, não tinha muitas relações de amizade. No entanto, o soldado Crapiúna era apaixonado ou pelo menos atraído fisicamente com violência por Luzia. Esta não correspondia aos seus cortejos, desprezando-o e tornando o soldado cada vez mais obcecado por ela.
Tinha Luzia um amigo muito leal e respeitoso chamado Alexandre, rapaz bonito e educado, que trabalhava no armazém da Comissão. Teresinha era outra amiga de Luzia. Moça branca, de cabelos castanhos, que há muito havia fugido de casa e se prostituíra.
Certo dia passando com Teresinha pelo armazém, viram um tumulto e ao se informarem ficaram sabendo que Alexandre fora preso por causa de um grande roubo que houvera no almoxarifado do armazém.
Luzia e Teresinha, acreditando na inocência de Alexandre que estava na prisão aguardando o julgamento, levavam-lhe comida todos os dias.
Tempos após, Teresinha, tendo ido se esticar na rede, vê nos fundos do quintal o soldado Crapiúna abrindo um baú e apanhando uma bolsa de couro de onça contendo dinheiro. Teresinha passa a desconfiar do soldado, o mesmo acontecendo com Luzia a quem Teresinha contara o ocorrido. Outro dia Luzia encontra Quinotinha que lhe diz ter ouvido Crapiúna confessando ser o autor do roubo a uma mulher que o amava. Luzia, certa da verdade, antes de falar com Teresinha foi a te o Delegado e lhe contou tudo, o qual não acreditando muito, foi até o quintal da casa de Teresinha encontrando o baú com as coisas roubadas do armazém.
No julgamento, Alexandre foi absolvido e Crapiúna expulso da corporação. O ex-soldado, vendo a felicidade de Luzia, jurou vingar-se.
Teresinha encontra a família que a estava procurando pelo sertão e vão morar juntos na casa dela.
Passados esses acontecimentos, Alexandre propôs a Luzia irem morar na serra, levando a mãe dela e a família de Teresinha. Luzia, que começara a despertar para o amor de Alexandre que já a amava silenciosamente há muito tempo, fica feliz e começam a arrumar as trouxas.
Alexandre partiu no dia seguinte com a família de Teresinha para escolherem a casa.
Teresinha, Luzia, Josefina, Raulino e outros quatro homens foram na tarde do dia seguinte,
Teresinha saiu na frente para ajudar os outros na arrumação da casa. Os cinco homens carregavam a rede com D. Josefina e Luzia logo atrás. Ao chegar à serra, Raulino indicou um atalho à Luzia dizendo que eles levariam a rede com D. Josefina pela estrada. Luzia foi seguindo os passos de Teresinha no barro.
Andou ao redor de um morro até que chegou a um rio cheio de pedras e de água pura. Quando ia atravessá-lo ouviu um grito. Olhou a sua esquerda e viu Crapiúna, que havia fugido da cadeia e que estava segurando Teresinha pelo braço. Luzia atravessou o rio e gritou:
- Solte a moça, seu Crapiúna!
- Até que enfim nos encontramos, disse o bandido.
Largou Teresinha e avançou sobre Luzia, puxando-a e rasgando toda sua roupa. No desespero, Luzia reagiu cravando as unhas no rosto de Crapiúna, deixando desfigurado e tonto. Crapiúna arrancou uma faca e cravou-a no peito de Luzia. Despencando em seguida do penhasco.
Neste instante chega Raulino que vê Teresinha horrorizada e, olhando a sua direita, aproxima-se de Luzia, já com os olhos arregalados e sem vida.
O cenário é o interior do Ceará, nos fins de 1878, durante uma grande seca. Na construção da penitenciária de Sobral, pequena cidade do Ceará, muitos retirantes trabalham para não morrerem de fome.
Uma linda morena chama a atenção de todos. É luzia que faz serviços de homem para poder receber ração dobrada, em virtude de ter a mãe doente em casa. Seu corpo é esbelto e feminino e, acostumada que fora na antiga fazenda do pai a trabalhar em serviços pesados, tinha muita força, fazendo o que muitos homens não podiam. Por isso recebera o apelido de Luzia-Homem. Recatada e silenciosa, não tinha muitas relações de amizade. No entanto, o soldado Crapiúna era apaixonado ou pelo menos atraído fisicamente com violência por Luzia. Esta não correspondia aos seus cortejos, desprezando-o e tornando o soldado cada vez mais obcecado por ela.
Tinha Luzia um amigo muito leal e respeitoso chamado Alexandre, rapaz bonito e educado, que trabalhava no armazém da Comissão. Teresinha era outra amiga de Luzia. Moça branca, de cabelos castanhos, que há muito havia fugido de casa e se prostituíra.
Certo dia passando com Teresinha pelo armazém, viram um tumulto e ao se informarem ficaram sabendo que Alexandre fora preso por causa de um grande roubo que houvera no almoxarifado do armazém.
Luzia e Teresinha, acreditando na inocência de Alexandre que estava na prisão aguardando o julgamento, levavam-lhe comida todos os dias.
Tempos após, Teresinha, tendo ido se esticar na rede, vê nos fundos do quintal o soldado Crapiúna abrindo um baú e apanhando uma bolsa de couro de onça contendo dinheiro. Teresinha passa a desconfiar do soldado, o mesmo acontecendo com Luzia a quem Teresinha contara o ocorrido. Outro dia Luzia encontra Quinotinha que lhe diz ter ouvido Crapiúna confessando ser o autor do roubo a uma mulher que o amava. Luzia, certa da verdade, antes de falar com Teresinha foi a te o Delegado e lhe contou tudo, o qual não acreditando muito, foi até o quintal da casa de Teresinha encontrando o baú com as coisas roubadas do armazém.
No julgamento, Alexandre foi absolvido e Crapiúna expulso da corporação. O ex-soldado, vendo a felicidade de Luzia, jurou vingar-se.
Teresinha encontra a família que a estava procurando pelo sertão e vão morar juntos na casa dela.
Passados esses acontecimentos, Alexandre propôs a Luzia irem morar na serra, levando a mãe dela e a família de Teresinha. Luzia, que começara a despertar para o amor de Alexandre que já a amava silenciosamente há muito tempo, fica feliz e começam a arrumar as trouxas.
Alexandre partiu no dia seguinte com a família de Teresinha para escolherem a casa.
Teresinha, Luzia, Josefina, Raulino e outros quatro homens foram na tarde do dia seguinte,
Teresinha saiu na frente para ajudar os outros na arrumação da casa. Os cinco homens carregavam a rede com D. Josefina e Luzia logo atrás. Ao chegar à serra, Raulino indicou um atalho à Luzia dizendo que eles levariam a rede com D. Josefina pela estrada. Luzia foi seguindo os passos de Teresinha no barro.
Andou ao redor de um morro até que chegou a um rio cheio de pedras e de água pura. Quando ia atravessá-lo ouviu um grito. Olhou a sua esquerda e viu Crapiúna, que havia fugido da cadeia e que estava segurando Teresinha pelo braço. Luzia atravessou o rio e gritou:
- Solte a moça, seu Crapiúna!
- Até que enfim nos encontramos, disse o bandido.
Largou Teresinha e avançou sobre Luzia, puxando-a e rasgando toda sua roupa. No desespero, Luzia reagiu cravando as unhas no rosto de Crapiúna, deixando desfigurado e tonto. Crapiúna arrancou uma faca e cravou-a no peito de Luzia. Despencando em seguida do penhasco.
Neste instante chega Raulino que vê Teresinha horrorizada e, olhando a sua direita, aproxima-se de Luzia, já com os olhos arregalados e sem vida.
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