Análise estilística
1. Determinismo do Meio
O homem como produto do meio é a tese central do movimento. O indivíduo não passa de uma projeção do seu cenário, com o qual se confunde e do qual não consegue escapar. Daí a insistência na descrição do meio, que sempre traga e tritura o homem. Olimpo, em Luzia Homem, mostra a vida dos retirantes na penitenciária. O ambiente como que suprime os indivíduos:
Muitas se afastavam dela, da orgulhosa e seca
Luzia-Homem com secreto terror, e lhe faziam a furto figas e cruzes. Mulher que
tinha buço de rapaz, pernas e braços forrados de pelúcia crespa e entonos de
força, com ares varonis, uma virago, avessa a homens, devera ser um desses
erros da natureza, marcados com o estigma dos desvios monstruosos do ventre maldito
que os concebera
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A população da cidade triplicava com a
extraordinária afluência de retirantes. Casas de taipa, palhoças, latadas,
ranchos e abarracamentos do subúrbios, estavam repletos a transbordarem. Mesmo
sob os tamarineiros das praças se aboletavam famílias no extremo passo da
miséria-resíduos da torrente humana que dia e noite atravessava a rua da
Vitória, onde entroncavam os caminhos e a estrada real, traçado ao lado
esquerdo do rio Acaracu, até ao mar. Eram pedaços da multidão, varrida dos
lares pelo flagelo, encalhando no lento percurso da tétrica viagem através do
sertão tostado, como terra de maldição ferida pela ira de Deus; esquálidas
criaturas de aspecto horripilante, esqueletos automáticos dentro de fantásticos
trajes, rendilhados de trapos sórdidos, de uma sujidade nauseante, empapados de
sangue purulento das úlceras, que lhes carcomiam a pele, até descobrirem os
ossos, nas articulações deformadas. E o céu límpido, sereno, de um azul doce de
líquida safira, sem uma nuvem mensageira de esperança, vasculhado pela viração
aquecida, ou intermitentes redemoinhos a sublevarem bulcões de pó amarelo,
envolvendo como um nimbo, a trágica procissão do êxodo.
Capítulo III
2. Determinismo dos Instintos
Cada indivíduo traz dentro de si instintos
hereditários, que explodem repentinamente em manifestações de luxúria, tara,
indignidade e crimes. Por mais que cada um desenvolva sua racionalidade, seu
domínio sobre si próprio, ajustando-se à convivência social, nunca será
suficientemente forte para domar as forças subterrâneas que vêm à tona,
arrastando-o a um universo de anormalidades e vícios.
Crapiúna, o tal soldado, era mal-afamado entre os homens
e muito acatado pelas mulheres, graças à correção do fardamento irrepreensível,
os botões dourados, o cinturão e a baioneta polidos e reluzentes: todo ele
tresandando ao patchuli da pomada, que lhe embastia2 a marrafa e o bigode, teso
e fino como um espeto. Possuía, apesar das duras feições, o encanto militar, a
que é tão caroável o animal caprichoso, e fútil, a mulher de todas as
categorias e condições sociais, talvez porque, sendo fraca, naturalmente, se
deixa atrair pelas manifestações da força.
Página 4 (2 parágrafo )
ZOOMORFISMO e
DESCRIÇÕES NEGATIVAS
Essa
característica muito comum no Naturalismo em que as personagens são sempre
aproximadas dos animais é bastante presente no romance. Bem como o enfoque de
aspectos negativos das personagens e da paisagem.
“... esquálidas
criaturas de aspecto horripilante, esqueletos automáticos, dentro de
fantásticos trajes, rendilhados de trapos sórdidos, de uma sujidade nauseante,
empapados de sangue purulento das ulceras, que lhes carcomiam a pele até
descobrirem os ossos, nas articulações deformadas”. “O formigueiro de
retirantes”
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